Certezas? No, none.





- Porquê que ela está assim? Tão afastada de si própria… daquilo que era?

- Ela tinha-se deixado de paixões arrebatadoras, dizia todos os dias. De sentir tudo com a intensidade de mil multidões, de histórias com um quase feliz, de puxões de ego, injecções de mágoa, e sentimentos ávidos no âmago. Pelo menos era o que ela dizia. Com o peito inflado de orgulho, e os olhos apáticos de segurança, agarrava-se convictamente ao “não” que tinha criado na sua mente. Dedicava-se mais às emoções momentâneas. Aos rasgos leves de afecto, e às afecções mais controladas. A tudo aquilo que lhe cabia na palma, e não lhe esbordava do peito. A tudo aquilo, que numa cobardia disfarçada, lhe dançava nos lábios, e não lhe morria nos olhos. Simples assim.

- E o que é que aconteceu?

- Apaixonou-se. E as paixões desmesuradas, as histórias com um quase feliz, as injecções de mágoa e os sentimentos ávidos no âmago, roubaram-lhe aquilo que a tornava tão segura e audaciosa. As certezas.



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