Somos Ridículos.




Somos indiscutivelmente ridículos. Todos nós! Desde o mais simples borrão de sentimento, até ao negrume ardor de afecção. Desde o grito de revolta, ao espasmo silencioso de prazer. Da afirmação à interrogação. Da indubitável certeza, à mais traiçoeira das dúvidas. Tu e eu. Somos ridículos. Sabemos que rasgos de alma não têm sentimentos, mas ainda assim tentamos muito agarrá-los. Imitamos comportamentos humanos e idealizamos utopias erradas. Caminhamos de pés rasos ao chão, temendo que as pontas nos façam deslizar por caminhos desconhecidos. No entanto, esquecemo-nos sempre de limar arestas. Construímos sempre com defeito, abraçando a amargura do que sabemos ser incompleto. Por isso somos ridículos. Vivemos dilacerados pelas pontas soltas do nosso próprio desgaste. Pela falta de audácia para reconstruir as ruínas que as nossas batalhas continuamente criaram. Ou pelo medo de sermos mais do que apenas rasgos de alma. De passarmos a ser borrões de sentimento. De cores leves e quentes, que nos ferem a alma quanto sentimos tudo com uma intensidade muito superior. De claves de sol completas, e sustenidos perfeitos. É assim, somos ridículos. Agrada-nos o sabor do imperfeito. O prazer da desculpa e a leveza de sabermos que somos falíveis. E isso talvez não seja totalmente ridículo. Apenas cobarde! Porque assim, atentando a que a perfeição não se encontra incrustada nas nossas essências, a desilusão será sempre menor quando admitirmos que não temos noção do que raio andamos aqui a fazer. 

2 comentários:

  1. És simplesmente fantástica, tu e aquilo que escreves. Parabéns.

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  2. Oh obrigada *.*
    É muito bom poder ouvir algo como o que acabaste de dizer! Gostava de saber quem és, no entanto, para te poder agradecer devidamente (;

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