The past f*cking hurts !


Hoje encontrei-nos numa regressão ao passado (…)
Num retorno tenebroso aos rostos contorcidos de dor e aos espasmos de frustração. Aquele tempo onde eras capaz de destituir o sorriso da minha face com uma imaginária estalada de revolta. Quando os teus olhos aveludados e apaticamente serenos, se crispavam na minha direcção fazendo-me sentir nua e desprotegida e os teus finos lábios se delineavam num contorno corrupto de raiva e me faziam até mesmo temer respirar.
Sinto um aperto tomar rédeas no meu corpo, e a devastação atingir-me como se há muito vivesse em mim. Porque teimas em fazer-me voltar se sabes que queima? Sim, queima! Mais do que qualquer tormento físico e carnal, do qual não possuo qualquer controle e supremacia.
No passado, iludida com a ténue esperança de realização, lutei! Destruí o meu corpo e a minha personalidade com todas as rotas e impensadas tentativas, mas lutei. Agarrei a pá com força e não me retraí perante a possibilidade de sujar as minhas mãos. Cavei sentimentos enterrados pela incerteza, e esperei que não os tornasses a cobrir. Sim, fui de facto ignorante.
Por isso, não temo por completo a nova e desconhecida dor que me possas causar. Correcção, que me vais causar! Mas rogo-te, imploro-te, rastejo de joelhos (…) não me faças recordar a dor que no passado me incutiste. Estou cansada!
As minhas mãos encontram-se já pútridas e desfeitas de tanto lutar contra ela, e asseguro-te desprovida de orgulho, que se me obrigasses a combater novamente com o passado doloroso, acabaria por perecer, e tombar imponentemente vencida.



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