Runaway boy, do it one more time.




Como em muitas tardes friorentas, onde o meu corpo implorava pelo conforto aconchegante do teu, hoje tornei a suplicar-te que me enfeitiçasses com as palavras mais fáceis de proferir do mundo, mas que para ti constituem o maior dos obstáculos. Roguei-te com os meus olhos piedosos e a voz aveludada de menina apaixonada. Tu apenas me olhaste (…) Olhaste-me com a expressão costumeira de ironia natural e o sorriso nos lábios mais belo que já tinha visto, e viciaste-me os sentidos. Seguraste invisivelmente a minha mão no tacto mais perfeito que já tinha sentido e fugiste. Continuaste o caminhar desenfreado de omnipotência e roubaste-me silenciosamente a audácia que tinha acabado de se tornar minha. Rompeste o sorriso frutífero do meu rosto destorcido e consumiste-me instantaneamente toda a força que possuía. Jamais terás a consciência suave da frustração que me incutiste quando o som que mais ambicionava escutar não conseguiu ser detectado pela minha audição apurada por ti. Quando percebi que as palavras nunca cairiam no meu tecto desprotegido. Quando te vi mais uma vez afastar-te de mim, com um sorriso nos lábios avermelhados de malícia. Ou até mesmo quando empunhei novamente a máscara de falsidade num sorriso fraco. Viste-me sorrir confiante no sucesso, mas a verdade é que apenas me senti morrer e prestes a desfalecer no teu alcance.  No entanto, foste capaz de curar tudo isso quando ergueste as tuas garras mortíferas na minha direcção e me fizeste sentir como se me desejasses. Eu? Eu apenas me limitei a avançar carinhosamente para ti e abraçar novamente o engano oferecido.

para mim será sempre fácil dizer: gosto muito de ti, v.

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