
Meu querido, observei mais uma vez o comboio partir sem ter coragem de embarcar. Sim, as forças falham-me no coração, mas sabes que não serei capaz de embarcar numa viagem de destino indefinido. É engraçado como ainda consigo sentir o teu calor ardente perto de mim. Até mesmo identificar as marcas da tua mão no meu corpo, como se de um negrume se tratasse na minha tez esbranquiçada. Sabes que nos perdemos? Sim, é verdade! No meio de tantos caminhos desencontrados e sobressaltos, extinguimos todo o ardor que nos orgulhávamos de possuir. Já não somos nada? Muito pelo contrário, somos TUDO! Somos uma lição, uma união sábia de corações ressentidos. Apenas deixamos o tempo desgastar as linhas ténues que nos unem. Eu por medo do desconhecido, e tu por medo de te perderes no meio do sentimento. Não, não te culpabilizo por tudo, mas atribuiu-te pelo menos a culpa da minha dor. Sabes bem que este rancor intencional não passa facilmente. Espero que também sejas capaz de o compreender e respeitar. Sabias que a rádio passa repetidamente a música que me entoaste? Talvez seja apenas um murmúrio de revolta, ou uma lembrança passada. De qualquer das formas, é uma harmonia suave de rejúbilo. Quase que consigo ouvir a tua voz ressoar no meu ouvido, a cada batida compassada. Ou talvez seja apenas o meu coração que retumba fiel a ti. Ainda assim, desejo veementemente que isto não seja um adeus… Apenas um suave e saboroso ate já! Porque por mais que a fumaça do comboio voe já bem longe de mim, um novo logo aparecerá para me levar até ti. É só preciso que para isso me dês razões para embarcar.
Com amor, C.A.
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