Somos seres sujos. A falência dos nossos corpos já não nos impede de continuar a lutar. É doente dizer que lutamos um contra o outro. Mas é hipócrita dizer que não o fazemos. Não passamos de mentes controversas atentas a todos os pontos fracos. O coração pode bater descompassado e fraco, mas o prazer de ganhar supera qualquer barreira física. Dizemos que nos amamos, mas empurramo-nos cada vez mais neste jogo de medo, onde quem ganha acabará também a perder. Manipulamos sentimentos tudo na esperança de voltar a sentir. Posso dizer que és hediondo, mas a verdade é que também eu me tornei assim. Escrupulosa e macabra. Tudo para te provar que sou um vício nojento para ti, mesmo sem ter a certeza da intensidade com que estás preso a mim. O veneno que cuspimos um ao outro acabará por nos matar. Mas entretanto usamos todas as armas pútridas que possuímos. Sabes bem que não te deixarei vencer. Talvez porque enquanto que jogarmos sei que não me podes deixar. E isto é tudo que temos. Um jogo corrupto onde vendemos as nossas almas sem resquício de preocupação. Unicamente para nos mantermos ligados. Amamo-nos, odiamo-nos, necessitados um do outro, tanto que acabaremos por perecer. uma morte lenta e dolorosa, assim como as
nossas essências.
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