
Analisando tudo de uma maneira excruciante, considerar-te-ia um génio. Um ser sublime capaz de me provar o quão ingénua posso ser. Um alguém capaz de pegar nas páginas velhas e gastas das minhas fantasias, e demorar apenas segundos a destruí-las. Fantasias essas, que me custam a manter todos os dias! Usas e abusas de tudo o que sou, deixando-me desprotegida ansiando por mais. Dei-te um ano da minha vida para me fazeres tua, e tu pegaste nela, recortaste-a, construíste, moldaste, alisaste, e no fim transformas-te tudo aquilo que me pertencia por direito. Roubaste-me a identidade e deixaste-me nua e desfavorecida. Fizeste tudo aquilo que por desejo te cobiçou. E terminado o tempo, atiçaste-me a alma e fizeste-me jurar que para ti o prazo era infinito. Um génio portanto… Meticuloso e dificilmente atingível!
Admirando o quadro de uma perspectiva humana, considero-te um cobarde. Uma besta imunda que encurta os limites dos meus sonhos e os joga espalhados no chão, à espera de serem pisados. Levantaste-me bem alto no céu, apenas para me largar sem vida no chão. Observaste os meus ferimentos cicatrizarem num corpo deformado, deixando-me frágil e facilmente quebrável. Nunca reflectiste arduamente nas sequelas que uma alma roubada traz a um corpo perecido. Sugaste-me lentamente as forças com cada injecção letal de embriaguez. E terminado o tempo, amaldiçoaste-me para que nunca fosse capaz de te arrancar de mim. Um cobarde portanto… Danificado e dificilmente são!
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