O silêncio sôfrego do meu quarto mostra-me a veracidade. TU não amas ninguém! Nem mesmo ao teu penoso ser. Rastejas roto por este mundo, há espera de encontrar um alguém que sucumba a ti e te mostre o poder. TU és um ser venenoso. Confinas-te a apedrejar os corpos doridos daqueles que te perseguem seduzidos. Brincas com eles como se te pertencessem, e depois farto da distracção larga-los sem sentido e completamente desnorteados. Frases desconexas de sentimento saem todos os dias pela tua boca. Para quê? Para te asseverares que tens sempre um porto de abrigo. Aquele para onde voltas sempre que descobrem a podridão do teu ser. Eu odeio-te tanto neste momento, que as lágrimas que fluem ácidas no meu rosto, me queimam os sentidos. És apenas um invólucro de nada. Uma existência amarga na minha vida corrompida. Em pouco tempo foste capaz de me mostrar todas as facetas humanas deste mundo ressentido. O amor, o carinho, o sofrimento, o desespero… Tudo isso está cravado no meu peito, pelas tuas mãos corruptas. Talvez seja tudo isso que me impede de respirar. Ou talvez seja o facto de que me encaro mórbida por dizer que te amo. A única certeza que tenho, é que te encontras na minha vida como uma arma carregada. Anseias pelo momento em que te dê o sinal para puxares o gatilho. E aí sim, poderás dizer que tudo o que sou te pertence. Sem entraves, sem recuos, sem medo. Apenas um ser sem vida movido por ti até aos mais contíguos desejos.

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