- Isto é tão fácil. - Disse enquanto me encarava suavemente, como se me lê-se a alma a cada segundo que passava. Sorri internamente. Isso era impossível! Ela sabia-a de cor. – Isto o quê? – Perguntei fitando os seus olhos muito grandes. Eram lindos! – Sei lá, isto. Nós as duas aqui! Sem dizer nada, sem nos esforçarmos para agradar uma à outra. Apenas… estando aqui. – Apertei as mãos na areia muito quente ignorando as batidas trémulas do meu coração. Senti os cantos dos lábios curvarem-se num sorriso singelo e decidi não o inibir. Precisávamos daquilo agora. O tempo estava a acabar. – Isso chama-se amizade B. É suposto ser fácil. – Reviraste os olhos como se soubesses que eu ignorava o relógio imaginário que nos pairava sobre os gestos. Eras tão tu naquele momento que me esforcei para guardar a imagem na minha mente. Talvez assim te pudesse ver de novo por trás das pálpebras. – Não estou a falar disso, sabes bem. É claro que é suposto a amizade ser fácil, mas connosco é diferente. Eu não preciso de palavras para saberes o que digo, e tu não precisas de lágrimas ou sorrisos para saber como te sentes. E isso é fácil. São como gestos mudos, que significam tudo. – Os semblantes mudaram. Já não me conseguia forçar a sorrir. Não naquele momento. Precisava de te ver verdadeira, sem máscaras de afecto, e sabia que ansiavas o mesmo. – Vai continuar a ser fácil. – Desviaste uma lágrima que corria pelo teu rosto. – Não me digas isso. Não tu. Sabes que não será fácil. Os gestos podem ser mudos, mas nunca poderão ser cegos. Só quero que… Só quero que me prometas que vais ficar comigo. Seja de que forma for. – Segurei um grito abafado que me escapava do âmago. Não eras como todos os outros. Como nenhum daqueles a quem já tive de dizer adeus. Eras mais do que isso. Eras tão eu que me interrogava se conseguiria viver sem o pedaço meu que levarias guardado no bolso. – Eu prometo. Não o poderia fazer de outra forma. Prometo que sorrirei ao imaginar a tua voz aveludada a contar-me as novidades que todos os dias capturamos à nossa volta. Prometo que direi que sim quando me perguntares se quero passar a tarde contigo, ou que percorrerei as ruas calorentas da cidade apenas para te deixar em “casa”. Prometo que farei tudo aquilo que sempre fiz. Mesmo que tenha vontade de chorar. Mesmo que saiba que não estás verdadeiramente cá comigo. Prometo que o farei. Porque assim sei que quando voltares, quando os gestos mudos voltarem a fazer sentido, e os sorrisos se entrelaçarem no maior dos afectos, serei capaz de apertar os braços com força à volta do teu corpo e dizer-te ao ouvido: Parece que nunca saíste daqui, minha loira acastanhada. – As lágrimas correram-nos as faces coradas de saudade. Da saudade que nos iria corroer o rosto. Sorriste para mim enquanto te levantavas determinada e beijaste-me o rosto molhado de adeus. – Até já! – Fechei os olhos saboreando a brisa das tuas palavras e quando os abri já não estavas lá. Sorri apertando a mão contra o peito. Já não doía mais. Não quando sabia que bastava voltar a fechá-los para ver o teu rosto perfeito gravado no meu coração.
AMO-TE, hoje, agora e para sempre.
AMO-TE, hoje, agora e para sempre.
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