Apologias do sentimento.




Estava errada. Mais uma vez, na minha cruel idealização de afecto, estava errada. Não compreendo as mentes apaixonadas, admito. Não compreendo a dependência de carinho, ou até mesmo o sabor adocicado dos beijos. As mãos dadas, os gestos de fervor e os ciúmes quantificados, são-me perfeitamente ridículos. As palavras ternas e cor-de-rosa soam hipócritas, e os denominares afáveis hilariantes. Compreendo-nos a nós, de olhos fechados, no mais vulgar chichê. Um instante de loucura ditosa, e uma vida de dor cândida e corrupta. Profundos e no entanto completamente extremistas. Os teus beijos, sempre me souberam a promessas e desculpas, a sabores verdadeiros e palpáveis. Os ciúmes, esses eram insuportáveis. Corrosivos e traiçoeiros, na medida de tudo o que é infindável. Os gestos de fervor eram percebidos apenas por um olhar. Longo e eterno, indiscutivelmente verdadeiro. As palavras eram curiosas, cheias de significados, e prepotentemente lidas ao pormenor. E os sorrisos, esses eram sublimes, rasgos frágeis de vida. Por isso não alcanço os ideais quantificados do amor juvenil. Eu, considero-me apologista dos amores desmesurados. Dos agarrões de afecto e dos puxões de cabelo. Dos abraços sufocantes, e dos gritos de revolta. Profunda e incessantemente apologista daquele nosso “nós”. Daquele rufar de sentimentos, e de injecções de emoção. De mim e de ti. Como um todo.


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