- Porque foste embora?
- Desculpa, não era isso que querias? Eu limitei-me a seguir as pegadas que ias deixando na areia. Apanhei todos os pedacinhos de verdade que me mandaste, e percebi que não estavas feliz. Não comigo!
- E tu? Eras feliz, comigo?
- O teu sorriso estava morto, sabias? Limitavas-te a sorrir com os lábios e esquecias-te de usar o coração. As deliciosas covinhas que coloriam as tuas bochechas tinham desaparecido, e os teus olhos tinham perdido a cor. Não tinha o mesmo sabor sorrir para ti quando a cor dos teus lábios era forçada. Ou quando inalavas o meu cheiro e deixavas a expressão dura de insatisfação. Não era feliz por saber que te fazia ficar assim.
- Eu era feliz, agora sei. Quando me beijavas, o formigueiro começava na ponta dos pés e acabava nos contornos do meu pescoço. Quando te sorria sentia o meu interior dilacerar. Não de insatisfação, mas sim de incredulidade. De medo que tudo acabasse tão rapidamente como começou. E o teu cheiro? Era o único veneno que me fazia continuar! Eu era feliz, apenas não sabia disso.
- Eu também não.
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