Fuck You !





Foi apenas preciso um instante. Um frio e metódico instante. Algures uma mente distorcida e carente de afecto começou a escrever-nos. Moldou-nos as personalidades e os sorrisos. Adicionou algumas gotas de mágoa e sofrimento e deixou que a magia actuasse por si. Fez-nos cruéis, macabros e desprovidos de compaixão. Acrescentou umas quantas linhas de calamidade afeiçoada e fez-nos abraçar as deformidades da nossa afeição. Acumulou as chapadas de revolta, os gritos de dor e as lágrimas de cólera. As palavras mortíferas, os olhares e os tactos venenosos foram escritos com a impiedade de um carrasco. Por entre todos os borrões, todo o desgaste de grafite e as linhas tenuemente apagadas, esqueceu-se da parte onde o herói salvava a mocinha. A parte onde os sorrisos se uniam numa epifania de rejubilo e onde os dedos se entrelaçavam em harmonia. Por entre as memórias rasas de infortúnio, descuidou-se por completo no final feliz. Talvez até nunca fizesse parte dos seus planos, mas estava de certeza incrustado nos corações inanimados dos personagens. Esses que se agarravam ao papel como se fossem capazes de lhe dar forma. Pobres marionetas sem vida (…) Foi apenas preciso um instante. Um frio e metódico instante. Para que as folhas fossem amachucadas e jogadas no lixo. THE END!

até mais, foi um prazer conhecer-te!
ou não (…)

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