
Pára (…) Sim, tu! Por favor, simplesmente pára. Faz-me enxugar este duvidoso líquido que escorre pontual humedecendo as minhas bochechas. Não percebes que não gosto de mim quando choro? Odeio as caretas consistentes e homogéneas! Odeio o sabor salgado da derrota. (É, apenas o teu sabor me agrada, mas ambos sabemos que esse nunca possuí.) Odeio o respirar entrecortado e asfixiante. Afinal, de que serve o choro? Os soluços descontrolados? A falta de ar repetida? Considero-o um caminho desenfreado de fuga à dor. O processo só se completa quando atravessadas todas as fases, certo? Não percebo então, o porquê de fugirmos ao inevitável. (dói menos!) A dor é algo excruciante e afagador. Adormece-nos, acorda-nos. Mortaliza-nos. (sim, eu sei que esta palavra não existe, mas de que serve escrever se não posso sequer introduzir o meu toque de humanidade?) Ei (…) estás a ouvir? Não te ordeno que assimiles tudo, mas que pelo menos idealizes. Como esperas incutir dor, se nem ao menos a compreendes? E claro, muito menos a conheces. Tu, portador de agulhas finas e facilmente penetráveis na nossa pele, nunca as viste atiçadas a ti! Encontro isso irónico na vida. Pára (…). Sim, pára de tentar crescer com atitudes infantis. Não compreendes que isso é (i) surrealista? Tudo bem, eu respondo-te. Agora? Sim, eu amo-te. Ela ama-te. Eles amam-te. Não sorrias, não agora. Deixa isso para mim por favor. Empresta-me um pouco da tua arrogância para que possa devidamente saborear os meus últimos devaneios: Sim, eu deixarei de te amar. Ela, e eles também. Isso porque tu vais parar. Peço-te, pára (…) Já! E finalmente nada mais irá sobreviver em ti. Porque tu és unicamente, choro! E acho que já te expliquei que odeio chorar.
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