2# Carta para a tua grande paixão.





Meu querido (…) Sim! Hoje irei tratar-te assim. Irónico não é? Não é primeira vez que as minhas palavras surgem infectadas por ti ou para ti, mas é a primeira vez em que temo fazê-lo. Assusta-me este painel de repetições em que a minha escrita se tornou. Até porque tu mesmo o és, e confesso que me aterrorizas mais do que qualquer outra coisa neste mundo. Depois de tantos dias congelados, de tantas horas reversas na minha mente, a vontade de te demolir de mim permanece adormecida. Não. Não te julgues sobre-humano, ou ideal! Acredita que encaro numa folha todas as razões possíveis e impossíveis para o fazer, mas o teu sorriso na minha mente faz-me despreza-las. Entende que não sou capaz de te deixar se não me deixares primeiro. Roubaste-me sorrateiramente a identidade, e fizeste de tudo para nunca mais teres de ma devolver. Por isso peço-te (…) se ainda existe uma réstia de humanidade no teu penoso corpo. Não me deixes mais! Ama-me, abraça-me, beija-me, sussurra-me ao ouvido o que eu exaspero por ouvir (mais uma vez), diz-me que me pertences, entrelaça as nossas mentes, e concede-me o prazer de sentir o teu quente afecto. Sim, perdi toda a dignidade e orgulho que me orgulhava de possuir. Por ti (…) apenas para te sentir mais uma vez. Não, não me mereces nem nunca o mereceste. Mas isso não me importa mais. Se pudesses ser meu, completamente meu, eu JURO-TE que aguentaria todas as pressões, todos os olhares odiosos, todas as calúnias, e toda a dor que outrora me causaste. Sei que soo egoísta e arrogante, mas prefiro não me encontrar hipócrita ao dizer que não te quero mais. Sim, ambos sabemos que há um ano te tornaste no meu maior desejo.


(um dia ainda te irás sentir assim)

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